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O grande vencedor do Festival Internacional de Propaganda de Cannes, em 2005, foi um filme da cerveja Guiness que mostra a involução da vida sobre a Terra. Muitíssimo bem feito, mostra três homens que tomam um gole da cerveja e retrocedem rapidamente até se tornarem anfíbios. Uma frase conclui que as boas coisas acontecem para quem sabe esperar. No caso, pela criação da Guiness.

No ano passado, a vencedora de Cannes foi a Campanha pela Real Beleza, na qual, pela internet, Dove convidava consumidores a se manifestarem contra o uso de imagens manipuladas e da beleza perfeita explorada por empresas de cosméticos.

O resultado foram milhares de respostas de consumidores e também de internautas, inclusive o site da Campanha contra a Vida Real. Nele, um rapaz bonito é enfeado, e a manifestação dos consumidores é clara: “Ninguém quer ver gente feia nas propagandas”.

“Em apenas dois anos, houve uma evolução tremenda na comunicação das empresas”, afirma Ezequiel Triviño, sócio da agência americana Wikreate.

Na 55ª edição do festival de Cannes, que começa hoje no balneário francês, não apenas essa mudança da comunicação empresarial deverá se acentuar como também a premiação deverá refletir a tendência. “Cada vez mais, a propaganda deixa de contar apenas uma história num filme de 30 segundos e envolve a comunicação em várias vertentes”, diz Triviño.

Outra era

Foi o que aconteceu no El Sol, festival de comunicação publicitária que aconteceu no início do mês, na Espanha. O prêmio mais esperado do festival, talvez pela tradição, foi o dado a um filme da varejista de móveis Ikea. Entretanto, os mais comentados –e também premiados– envolviam internet, revistas, jornais e filmes ao mesmo tempo.

“Vivemos o fim de uma era”, diz Triviño, que apresentou uma palestra sobre o fim dos festivais de propaganda durante o El Sol. “Em dez anos, não será mais a publicidade que nos alimentará.”

O discurso ameaçador não é, é claro, unanimidade no setor. No entanto, o que era repetido até poucos anos como provável tendência de mercado parece estar começando a se tornar realidade.

Agência Google

Segundo Triviño, no último ano, a maior agência de propaganda do mundo não foi nenhum grupo de comunicação no qual brilham publicitários, mas sim o Google. O site de buscas faturou US$ 16,6 bilhões em 2007 com publicidade, enquanto o grupo Omnicom, o maior entre todos, teve receita de US$ 12,7 bilhões. WPP e Interpublic, outros dois grandes da área, faturaram US$ 12,4 bilhões e US$ 6,6 bilhões respectivamente.

“Quem olha os links patrocinados do Google lembra a comunicação da idade da pedra”, diz Triviño. “Mas eles superaram as agências em menos de dez anos porque desintermediaram a comunicação, dando ferramentas de controle ao consumidor.”

Renato Loes, presidente da Leo Burnett Brasil, discorda. Para ele, o Google não é agência, mas sim concorrente dos meios de comunicação. “O Google não fará venda direta para sempre”, diz Loes. “Para a agência, o que interessa é colocar o anúncio no lugar mais adequado e o Google pode ser um deles.”

As discussões sobre o Google, no entanto, são apenas o topo da montanha que aparece escondida por nuvens. As mudanças nas inscrições de Cannes refletem a transformação do mercado. O número de peças de internet inscritas, por exemplo, aumentou 77% e o de mídias integradas, 342%, nos últimos cinco anos. Já as inscrições de filmes caíram quase 10% no período.

Maurício Mazzariol, sócio da agência brasileira Bigman, apresentou no El Sol algumas campanhas de destaque em comunicação digital, na América Latina. Uma delas é a do site silviovelo.com. Nele, Silvio Velo, capitão da seleção argentina de futebol para cegos, guia o internauta por páginas completamente escuras: cursor do mouse, letras, fundo e até e-mail são negros.

Para auxiliar a navegação, só a voz de Velo e o guiso da bola de futebol para cegos. O objetivo é, por meio da interação, conseguir patrocínio para o esporte, popular, mas sem apoio financeiro no país.

“Vivemos um momento de experimentação, nas mais variadas formas”, diz Mazzariol.

Fonte: Folha de S.Paulo

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CANNES, França - Vinte e um anos depois de Maurice Pialat e seu filme “Sob o Sol de Satã”, o filme de um cineasta francês sobre salas de aula levou por unanimidade a Palma de Ouro do Festival de Cannes, na sua 61a edição.

O filme “Entre les murs”, ainda sem título em português, foi dirigido por Lauren Cantet e baseado no filme autobiográfico de Franços Begaudeau. A obra estava entre os favoritos para os principais prêmios.

É provavelmente uma escolha popular entre os críticos e jornalistas, que elogiaram o poderoso retrato da energia e da tensão das salas de aula, e sua exploração de temas universais como raça, individualidade, democracia e confiança.

“O filme que queríamos fazer tinha que ser uma reflexão da sociedade francesa-múltipla, de várias faces, complexa”, disse Cantet no palco da cerimônia de entrega dos prêmios, onde estava acompanhando pelo grande elenco formado por adolescentes.

Era esperado que o presidente do juri, Sean Penn, favorecesse filmes com contexto social e político após a coletiva de abertura, quando ele afirmou que o vencedor seria um diretor que estivesse “consciente do momento em que ele vive”.

Outro prêmio entregue de forma unânime pelo juri foi o prêmio de melhor interpretação masculina para Benício de Toro, que interpreta o papel de Che Guevarra no “Che”, um longa metragem de Steven Soderbergh onde o brasileiro Rodrigo Santoro interpreta Raúl Castro.

“Eu gostaria de dedicar este prêmio para o homem em pessoa, Che Guevarra”, disse Del Toro.

O prêmio de melhor interpretação feminina ficou com a brasileira Sandra Carveloni, que interpreta a mãe de quatro filhos sobrecarregada de trabalho no filme nacional “Linha de Passe”, do cineasta Walter Salles.

O vencedor do Grand Prix foi o italiano “Gomorra”, o filme de Matteo Garrone sobre o mundo de Camorra, a rede de crimes de Nápoles.

O prêmio de melhor diretor foi para o turco “Three Monkeys”, um conto sombrio sobre os segredos familiares que recebeu boas críticas.

Grandes nomes como Angelina Jolie, Robert De Niro, Clint Eastwood, Penélope Cruz, Woody Allen, Steven Spielberg e Harrison Ford, assim como estrelas do esporte como Mike Tyson e Diego Maradona passaram pelo famoso tapete vermelho neste ano.

O prêmio especial foi entregue para as lendas do cinema Catherine Deneuve e Clint Eastwood, cujo o filme “The Exchange”, estrelado por Angelina Jolie, também estava na competição.

Fonte: Reuters

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