A Fundação Mandela, encarregada de preservar a herança polícia e intelectual do herói da luta anti-apartheid, lançou este ano o Dia de Mandela, ocasião para que todos os cidadãos sirvam as comunidades, especialmente os mais desfavorecidos, de forma desinteressada.

De saúde debilitada, o antigo preso político, Presidente e Nobel da Paz passará o aniversário em família, na residência de Joanesburgo, anunciou a Fundação Mandela.

Concertos e outras festividades marcarão a data, de Joanesburgo ao Soweto e Londres, mas para a Fundação Nelson Mandela, detentora dos direitos do nome e imagem, a forma de celebrar Mandela é dar, desinteressadamente, em todos os cantos do mundo.

Em Nova Iorque, estrelas norte-americanas como Stevie Wonder e Aretha Franklin, bem como Carla Bruni-Sarkozy, cantora e mulher do Presidente francês, Nicolas Sarkozy, participam num concerto de angariação de fundos para a luta contra a sida no âmbito da campanha 46664.

Longo caminho para a liberdade

Este era o número de Mandela ao longo dos 27 anos em que esteve preso, até ser libertado em 1990.

Uma vez saído da prisão, negociou com o regime segregacionista uma transição política pacífica. Em 1993 recebeu o Nobel da Paz, antes de ser eleito presidente, nas primeiras eleições multiraciais em 1994.

No entanto, a herança de Nelson Mandela parece estar a desaparecer entre os sul-africanos mais jovens, nascidos depois de 1994.

Inquéritos de rua revelam um desconhecimento crescente sobre o homem, a luta e a dedicação inabalável à causa dos mais desfavorecidos da sociedade, valores que nortearam a vida de Mandela e permitiram uma transição exemplar da ditadura para a democracia representativa na África do Sul.

Crise no ANC

O próprio movimento ao qual Mandela dedicou a sua vida – Congresso Nacional Africano (ANC) – tem sido atingido, enquanto poder desde 1994, pelos constantes escândalos de corrupção e enriquecimento indevido entre os seus dirigentes a todos os níveis da estrutura partidária e do Estado.

A utilização do nome do líder com fins comerciais é um dos problemas mais recorrentes que se coloca à Fundação Mandela, como o recente caso de um dos seus netos, Mandla, acusado por uma publicação sul-africana de ter negociado com a televisão pública um contrato multimilionário para a transmissão exclusiva do funeral do avó. Mandla negou as acusações.

Fonte: Lusa

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