A AFP cita o mais alto responsável da província do sudoeste da China, Liu Qibao, segundo o qual mais de 71 mil pessoas, entre mortos, desaparecidos e outros ainda sob os escombros, foram afectados directamente pela catástrofe.
Mais de 200 socorristas ficaram, nos últimos três dias, enterrados na lama, enquanto tentavam reparar estradas danificadas pelo terramoto. Não há ainda notícia de sobreviventes.
Hoje, ao nascer do sol, como é de tradição, a bandeira vermelha com as cinco estrelas amarelas foi içada por soldados na Praça Tiananmen, diante do mausoléu de Mão Tsé-tung, e logo baixada até meia-haste.
A cena repetiu-se por todo o país, na fachada dos edifícios públicos, incluindo as regiões autónomas especiais de Hong Kong e Macau.
A televisão estatal chinesa transmitiu as imagens solenes, repetidas um pouco por todo a China declarando o início do luto nacional de três dias que também vai colocar hoje o país em silêncio durante três minutos à hora exacta em que o sismo atingiu a província de Sichuan com um abalo de magnitude 8 na escala de Richter.
Chama olímpica com viagem suspensa
A viagem da chama olímpica que está a percorrer a China também foi cancelada durante três dias, “em honra da memória dos que perderam a vida no terrível sismo”, afirmou no Domingo a organização dos Jogos.
Segundo a Nova China, todas as bandeiras nacionais chinesas vão estar a meia haste no território nacional e em todas as missões diplomáticas chinesas no estrangeiro desde hoje e até quarta-feira.
A tragédia desencadeou uma onda de comoção e de solidariedade, com milhares de pessoas a oferecerem-se como voluntários para ajudar, a doar dinheiro e bens de auxílio e a enviarem condolências pela internet ou a disponibilizarem-se para tomar conta dos órfãos.
De acordo com o serviço noticioso oficial China News Service esta mobilização e luto são uma manifestação sem precedentes no país mais populoso do mundo.
“Perante o balanço elevado de mortes, a sociedade chinesa pediu um período de luto“, referiu o serviço informativo, acrescentando que “a decisão do Conselho de Estado reflecte a vontade do povo e as práticas internacionais”.
Actividades culturais suspensas
O Ministério da Cultura chinês ordenou que todos os locais culturais e de entretenimento suspendessem actividade para manterem a solenidade, respeitando os três dias de luto nacional.
Autoridades em Xangai afirmaram que todos os cinemas, salas de espectáculos, discotecas, bares de karaoke, salas de jogos online, recintos desportivos e locais semelhantes vão estar encerrados, segundo um comunicado do governo.
A bolsa de Xangai, bem como a de Shenzhen, afirmaram que iam suspender as transacções durante os três minutos de silêncio.
Em Pequim, o novo Centro Nacional para as Artes vai interromper os espectáculos durante três dias, referiu o jornal Beijing Times, bem como os parques de diversões e os estabelecimentos em locais de vida nocturna.
A televisão local de Pequim tem planos para alterar a programação e transmitir apenas a cobertura relacionada com o sismo, disse a estação televisiva.
A preto e branco
A maioria dos jornais nacionais publicou hoje uma primeira página sem cores, só a preto e branco, como o jornal Beijing Times, que abre com a imagem de uma vela e destaca o número 32.476 - as mortes provocadas pelo sismo.
De acordo com o balanço provisório oficial, o sismo provocou cerca de 32.500 vítimas mortais no Domingo, mas o governo reiterou que este número pode alcançar os 50 mil mortos, tal como já tinha anunciado.
Nas operações de resgate entre os escombros, as equipas de socorro salvaram no domingo mais dois sobreviventes que estiveram soterrados mais de 148 horas.
Segundo os especialistas, a probabilidade de encontrar mais pessoas com vida diminui a cada momento, porque as hipóteses de resistir entre os escombros mais de três dias depois do sismo é muito reduzida.
As autoridades estimam que cerca de 9.500 pessoas ainda se encontram presas entre os escombros e aproximadamente 4,8 milhões ficaram sem casa devido ao terramoto, que devastou cidades inteiras na província de Sichuan, a mais atingida, onde poucas pessoas sobreviveram.
Fonte: Sic
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