O PAM já tinha tido dois carregamentos apreendidos na sexta-feira à chegada a Rangum. “A situação (destas chegadas) é semelhante à das outras duas”, informou um porta-voz do PAM, Marcus Prior.
Uma semana depois da passagem do ciclone, a ajuda de emergência continua a chegar, mas a conta-gotas, dadas as restrições impostas pela Junta Militar, como a exigência de que seja o exército - e não os funcionários estrangeiros das organizações - a distribuir a ajuda.
Segundo o porta-voz da ONU em Banguecoque, Richard Horsey, um milhão de pessoas afectadas pela passagem do ciclone Nargis, mais de metade do total, ainda não recebeu qualquer ajuda humanitária.
As agências da ONU “só puderam chegar a cerca de 500 mil pessoas, num universo total de milhão e meio a dois milhões que foram gravemente afectadas, segundo as nossas estimativas”, informou um porta-voz.
“Até ao momento, apenas chegámos a um quarto dessa população (e) evidentemente isto está a avançar com demasiada lentidão”, criticou.
A primeira coluna de ajuda da ONU por via terrestre chegou hoje a território birmanês, proveniente da Tailândia e com destino a Rangum, segundo o Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR).
A coluna, que vai ser acompanhada por representantes do ACNUR no território birmanês, transporta 20 toneladas de material diverso, como tendas e protecções plásticas para abrigar as pessoas que perderam as suas casas.
Segundo o representante do ACNUR na Tailândia, Raymond Hall, pretende-se “abrir um corredor humanitário para fazer chegar mais ajuda às vítimas do ciclone”.
Este mesmo organismo da ONU anunciou entretanto que o primeiro avião que fretou partiu hoje do Dubai para a Birmânia com 100 toneladas de material a bordo, incluindo tendas, coberturas de plástico e conjuntos de cozinha.
Dois outros aviões fretados pelo ACNUR deverão partir para a Birmânia no princípio da próxima semana.
Segundo o último balanço oficial, o ciclone Nargis que afectou a região do delta do rio Irrawaddy, no sul da Birmânia, no fim-de-semana passado, fez 23 mil mortos e mais de 42 mil desaparecidos, mas vários diplomatas estrangeiros no país admitiram que o balanço pode muito bem ultrapassar os 100 mil mortos.
O partido da opositora birmanesa Aung San Suu Kyi advertiu hoje que o balanço do ciclone aumenta “de dia para dia” devido às restrições impostas pelo regime à distribuição da ajuda e apelou à ONU para que envie ajuda “por todos os meios”.
“As autoridades impõem todo o tipo de restrições à ajuda internacional, nomeadamente à ajuda internacional, apesar do número de mortos aumentar de dia para dia”, afirmou a Liga Nacional para a Democracia num comunicado.
“A LND reitera o seu apelo à comunidade internacional e à ONU, em nome da população, para o envio de ajuda e de especialistas humanitários por todos os meios e para a criação de um sistema de socorro o mais rápido possível”, acrescentou.
Fonte:Lusa
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