Zimbabué: Mugabe pode ter uma “saída honrosa”
Posted by: iGuga Team in Famosos, Países, Zimbábue“Robert Mugabe é um herói da libertação no nosso continente e deve ser convencido a fazer uma saída honrosa. De facto, não temos qualquer intenção de violar os seus direitos. Acreditamos que chegiu a hora de ele ter uma saída honrosa”, disse o líder do Movimento para a Mudança Democrática, Morgan Tsvangirai, cujo partido alega ter ganho as legislativas (ainda em processo de recontagem) e que também se condidera vencedor das presidenciais, apesar de não terem sido divulgados resultados destas.
Tsavngirai, que está em Acra (Gana) pede o apoio dos líderes africanos e também da ONU (encontrou-se ontem com o secretário-geral) para encontrar uma solução para o impasse eleitoral em que o Zimbabué está mergulhado e que já levou a uma greve geral reprimida com violência.
“Peço a cada aldeia, cidade, tribo, dialecto, homem e mulher, chefe de Estado em África que defendam o povo do Zimbabué”, disse Tsvangirai.
Barco com armas continua por atracar
Os Estados Unidos pediram, hoje, à China para fazer regressar um navio com armas destinadas ao Zimbabué e para não fazer mais entregas a este país, anunciou o Departamento de Estado.
Washington pediu a Pequim “para não enviar carregamentos (de armas) suplementares e, se possível, fazer regressar” o destinada ao Zimbabué, precisou um porta-voz do Departamento de Estado, Tom Casey. O regime zimbabueano é alvo de um embargo de armas pelos ocidentais.
O diário moçambicano MediaFax noticiou hoje que o navio, o An Yue Jiang, estava “em águas moçambicanas” segunda-feira à noite, a aguardar autorização para atracar no porto de Maputo para uma escala de reabastecimento e posteriormente partir para a Beira, onde poderá descarregar o armamento para seguir para o Zimbabué, o seu destino.
Por outro lado, o governo chinês anunciou hoje que o navio desistiu de entregar o seu carregamento de seis contentores de munições ao Zimbabué, pelo que o armamento vai regressar à China, na sequência da recusa dos países da região, incluindo Moçambique e Angola, em deixar usar os respectivos portos.
Questionada pela Agência Lusa sobre a posição das autoridades de Moçambique e Angola, a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Jiang Yu, afirmou que Maputo e Luanda deveriam ter “compreendido” que as munições destinadas ao Zimbabué são parte de um negócio legal.
“Quanto à recusa dos países em receber o cargueiro, a minha explicação é clara. Esperamos que os países relevantes compreendam claramente que se trata de uma transacção comercial normal”, disse Jiang Yu em conferência de imprensa em Pequim.
“Uma vez que o Zimbabué não recebeu o carregamento a tempo, a empresa transportadora vai trazer a carga de volta para a China”, acrescentou Jiang.
Apesar desta indicação, o destino do An Yue Jiang continua incerto e o agente marítimo que o fretou declarou hoje que o navio se dirige para Angola.
“Segundo os papéis, o próximo porto é em Angola. Este navio atrai muita atenção. A informação é muito sensível”, disse Wang Kun Hui em Durban, citado pela AFP, precisando que se trata do porto de Luanda.
Fontes diplomáticas norte-americanas que solicitaram o anonimato admitiram à AP que os Estados Unidos estão a pressionar os governos da África do Sul, Moçambique, Namíbia e Angola para que não autorizem a acostagem do navio chinês.
A tensão que se seguiu às eleições de 29 de Março no Zimbabué, ainda sem resultados oficiais, está a provocar desconfianças em relação aos objectivos do armamento transportado pelo An Yue Jian, apesar de Pequim ter garantido hoje que o armamento foi comprado por Harare o ano passado e que o envio da encomenda nesta altura não tem nada a ver com a crise no país.
A China “espera que as partes relevantes não tentem politizar o caso ou usar o caso para fins sensacionalistas”, declarou hoje a porta-voz da diplomacia de Pequim.
Fonte: Sic
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