A bordo do avião que o conduzia a Washington, o Papa evocou o dossiê doloroso para a Igreja católica norte-americano do escândalo dos padres pedófilos, manifestando a sua “vergonha”.

“Temos muita vergonha”, declarou o papa aos jornalistas no avião. “A Igreja fará todo o possível para curar as feridas causadas pelos padres pedófilos” e garantir que “tais comportamentos não se repetirão”, acrescentou.

Ao descer do avião pouco antes das 20:00 (hora de Lisboa) (16:00 hora local), o Papa foi recebido com carácter excepcional pelo presidente George W. Bush, um protestante, a sua mulher, Laura, e a filha, Jenna, que, vestidas de negro, lhe apertaram a mão demoradamente na pista das base aérea de Andrews, perto de Washington.

É a primeira vez na história americana que o presidente dos Estados Unidos se desloca em pessoa para receber um chefe de Estado no aeroporto.

Sorridente, o Santo Padre, que completa quarta-feira 81 anos, visivelmente atento e em forma, saudou os prelados e acenou à multidão.

É a primeira visita de Bento XVI aos Estados Unidos desde que foi eleito há três anos e a nona visita de um Papa a este país.

O soberano pontífice vai a Washington e a Nova Iorque onde pronuncia um discurso perante as Nações Unidas, sexta-feira, celebra duas missas em estádios na presença de dezenas de milhar de pessoas e visita o local dos atentados do 11 de Setembro de 2001 no Ground Zero.

Em Washington, é recebido quarta-feira na Casa Branca, saudado por uma salva de 21 tiros de canhão perante 9.000 a 12.000 convidados.

Terá discussões com George W. Bush na Sala Oval e a administração norte-americana espera um diálogo “franco” e uma aproximação sobre os “valores comuns” depois das críticas do Vaticano sobre a guerra no Iraque.

Bento XVI precisou terça-feira que falará com o presidente Bush da questão da imigração. Os Estados Unidos devem “ajudar os países, cujos habitantes emigram, a desenvolver-se”, declarou.

Pronunciando no avião palavras de conforto sobre a crise dos padres pedófilos, Bento XVI assegurou que “a Igreja devia absolutamente excluir os pedófilos do ministério sacerdotal”. “Pedófilos não podem ser padres (…) Insisto absolutamente nesta incompatibilidade”, acrescentou o papa.

Fonte: Lusa

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