O debate deste domingo entre os dois candidatos democratas às eleições norte-americanas centrou-se numa palavra: bitter. Triste, amargo, amargurado são alguns dos sinónimos deste adjectivo que Obama atribuiu às classes trabalhadoras numa acção de campanha há alguns dias atrás. Hillary não esqueceu o assunto e trouxe-o de novo para o debate, transmitido ao vivo pela CNN, apelidando de «elitistas, inadequadas e condescendentes» as declarações do adversário.

Obama tinha atribuído a essa amargura o facto de as pessoas se agarrarem a questões como religião, armas e preconceitos para com os que são diferentes. Hillary disse no debate que Obama não respeita as pessoas que buscam conforto na religião. «O Partido Democrata foi visto como um movimento que não entende e não respeita os valores e o modo de viver de muitos cidadãos americanos», afirmou, e foi mais longe, garantindo que sempre sentiu «a presença de Deus» na sua vida.

A religião exerce um papel crucial na vida política americana, e uma esmagadora maioria de eleitores admite que nunca votaria num candidato ateu.

Obama admitiu ter pronunciado declarações infelizes, «como acontece frequentemente numa campanha presidencial». Porém, insistiu, «a religião constitui um oásis quando as outras coisas não vão bem». Ainda assim, o democrata garantiu que não teve a intenção de criticar os crentes, mas reafirmou que as pessoas atingidas pela crise sentem «amargura», pois têm a sensação de que o governo não lhes dá ouvidos.

O democrata disse ainda ser um «cristão devoto» e recordou que começou o seu percurso ao trabalhar directamente com as igrejas de Chicago. «Nenhum democrata em nenhuma campanha dos últimos anos fez mais para tentar chegar às igrejas e falar de religião como eu», disse ainda Obama.

Fonte: Porugal Diário

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