Higino das Neves é o comandante da Componente Naval timorense, o mesmo cargo que pertenceu, em tempos, ao major Alfredo Reinado, até ser demitido por usar as duas lanchas para cruzeiros pessoais. É em Reinado, ex-marinheiro, que começa a história da perseguição a Salsinha.
Reinado atacou, a 11 de Fevereiro, a casa do Presidente da República. Morreu. O ex-tenente Salsinha atacou, de seguida, o primeiro-ministro. Fugiu.
Salsinha tem as armas e os homens que estavam com Reinado, incluindo alguns cadastrados e alguns peticionários. Cerca de metade do grupo rendeu-se, a conta-gotas, ao comando conjunto.
Polícias e militares dão caça, em conjunto, aos restantes fugitivos, que o tenente-coronel Filomeno Paixão, comandante da “Halibur”, calcula em 15 homens, depois de mais seis rendições nas últimas 48 horas.
A entrega de homens não tem sido acompanhada da entrega de armas e os fugitivos dispõem ainda de várias armas de cano longo, HK33, FNC, SKS, M16. Com este perigo em mente, e mantendo a preferência por uma captura de Salsinha vivo, as regras operacionais da “Halibur” subiram de tom há dois dias.
“Se Salsinha quiser, vamos disparar. Se ele não quer render-se… Ele é que escolhe. As Falintil estão preparadas para isto”, garante o major Neves num português correcto, com um sotaque correcto de um adulto que aprendeu a língua de Camões num curso da Cooperação Militar portuguesa.
A “Halibur” dura há oito semanas. Como ficou claro na última reunião das chefias militares com os titulares políticos, a percepção do êxito da operação está dependente da captura de Salsinha.
Outro factor de urgência é o regresso do Presidente Ramos-Horta ao país, a 17 de Abril. “Certamente, nós queremos ter o problema já resolvido antes do termo do estado de sítio”, admitiu, no domingo, o tenente-coronel Filomeno Paixão, aludindo à data de 23 de Abril.
Apoios de Reinado na “diáspora” da Indonésia investigados
As autoridades timorenses estão a investigar a alegada fuga para a Indonésia de uma dezena de homens ligados ao 11 de Fevereiro e a Alfredo Reinado.
O passado comum do ex-comandante de milícias pró-indonésias Eurico Guterres e do ex”gangster” Hércules Rosário Marçal, um inivíduo conhecido em Timor-Leste por controlar operacionalmente várias actividades criminosas em Jacarta.
Eurico Guterres, libertado segunda-feira da prisão de Cipinang, em Jacarta, encontra-se na capital de Timor-Ocidental, Kupang. O ex-líder das milícias Aitarak e Hércules Rosário Marçal fizeram carreiras violentas na Indonésia, um percurso que “preocupa” também as chefias militares timorenses.
Oficiais envolvidos na operação “Halibur” não excluem que o major Alfredo Reinado pudesse completar o triângulo de relações suspeitas.
Em apoio desta tese estão declarações feitas em privado por Hércules, em 2007, a antigos camaradas timorenses das forças especiais indonésias, os Kopassus.
“Estamos à procura de confirmação da fuga dos dez elementos após os acontecimentos de 11 de Fevereiro”, afirmou à Lusa um oficial timorense que pediu para manter o anonimato.
“Recebemos essa indicação de elementos de fontes credíveis em Jacarta com quem mantemos contacto”, afirmou à Lusa o mesmo oficial, que reúne informações no âmbito da operação de captura de Salsinha, antigo líder dos peticionários das Falintil-Forças de Defesa (F-FDTL).
Fonte: Sic
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