General da ONU descarta retrocesso com crise no Haiti
Posted by: iGuga Team in Haiti, PaísesAs recentes manifestações contra a elevação do custo de vida no Haiti, que deixaram cinco mortos, não representarão um recuo no processo de estabilização do país, segundo o chefe da força de paz da ONU no país, o general Carlos Alberto dos Santos Cruz.
O general, no comando da Minustah desde o início do ano passado, promete mobilização total para conter os excessos.
Para o brasileiro, que comanda os 7.060 militares da Organização das Nações Unidas no Haiti, as manifestações são parte normal do processo político haitiano. Ele aponta a presença de aproveitadores infiltrados em manifestações pacíficas como os responsáveis pelos episódios de violência.
“Nós estamos com 100 por cento do pessoal empenhado a fim de ter o mínimo de danos para o país nesse momento de crise”, disse Santos Cruz em entrevista à Reuters por telefone, acrescentando que as manifestações deixaram 9 militares da ONU feridos “nenhum deles correndo risco”.
De acordo com o general, algumas manifestações ainda têm sido acompanhadas de saques e de ataques contra as forças da ONU, comandadas pelo Brasil. Ele, mo entanto, reduziu para “três ou quatro” os locais onde ainda há manifestações violentas na capital Porto Príncipe.
O general também classificou como “sob controle” a situação em três cidades que registraram alguns dos piores protestos: Les Cayes, Cap Haitien e Gonaives.
“Houve lugares que tiveram manifestações absolutamente pacíficas, não houve problema nenhum, foi o caso de Cité Soleil”, disse o general, numa referência à favela que foi dominada por gangues e epicentro de confrontos sangrentos ocorridos na capital haitiana.
“Às vezes a população está fazendo a manifestação dentro de uma situação democrática, pacificamente, e você tem no paralelo gente interessada em violência”, disse. “A grande massa é boa, o problema é que você tem nesse tipo de ambiente gente se aproveitando para assaltar o supermercado, para fazer aquilo que quer fazer.”
Para o comandante da Minustah (sigla em inglês para Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti) as tensões políticas provocadas pela onda de protestos contra a alta nos preços dos alimentos, inclusive com senadores de oposição defendendo a renúncia do primeiro-ministro haitiano, Jacques Edouard Alexis, não devem criar novos episódios de violência. “Eu não vejo isso”, disse Santos Cruz.
Nesta quinta, a oposição, em uma carta assinada por 16 dos 27 senadores do país, exigiu a renúncia do primeiro-ministro Jacques Edouard Alexis, sob acusação de o governo não ter adotado as medidas necessárias para enfrentar a crise.
O Conselho de Segurança da ONU decidiu mandar uma missão de paz ao Haiti em 2004, após uma sangrenta revolta armada provocar a queda do ex-presidente Jean-Bertrand Aristide.
A Minustah, missão que tem o Brasil como principal contribuidor com 1.213 militares, é a quinta missão da ONU no Haiti, país mais pobre das Américas, desde 1993.
Fonte: Reuters
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