Depois de ser apagada algumas vezes em sua passagem por Paris, na segunda-feira, mais um procedimento surpreendente roubou a cena no revezamento da tocha olímpica. O símbolo desapareceu das ruas de São Francisco minutos após ter iniciado o percurso, ontem, e só ressurgiu cerca de uma hora depois, a uma distância de quase três quilômetros do ponto inicial.

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A nadadora chinesa Lin Lee, primeira a participar do revezamento, recebeu a chama com atraso - o percurso deveria ter começado às 13 horas locais (17 horas de Brasília) -, rodeada por agentes de segurança chineses, mas desapareceu de forma repentina em um galpão próximo à Baía de São Francisco. Depois do sumiço, o símbolo reapareceu em um ponto distinto da cidade, longe do público.

‘Foi uma covardia. Se eles não podem andar com a tocha por toda a cidade, isso significa que ninguém apóia a Olimpíada’, disse o professor primário Matt Helmenstine, de 30 anos, com uma bandeira tibetana.

A mudança repentina de percurso, que deixou milhares de curiosos decepcionados, foi explicada pela polícia local. De acordo com um porta-voz das forças públicas, o caminho que seria percorrido pela tocha estava bloqueado por manifestantes. A rota, além de alterada, foi reduzida dos 10 quilômetros iniciais para 5,5 quilômetros.

A mudança foi referendada pelo prefeito de São Francisco, Gavin Newson. ‘Sentimos que não poderíamos dar segurança à tocha, aos manifestantes e aos que apoiavam o revezamento. Por isso, decidimos entrar nesse plano de contingência’, afirmou Newson, que já havia alertado sobre a possibilidade de alterações na rota, por causa do grande número de protestos que tomaram a cidade antes mesmo da chegada da tocha.

São Francisco reúne uma das maiores populações com ascendência asiática nos EUA. Por esse motivo, milhares de manifestantes pró-China dividiam espaço com pessoas que protestavam pela libertação do Tibete e pela liberdade no país asiático. A chegada da tocha foi precedida por grande ato público, na noite de terça-feira , no qual compareceram o prêmio Nobel da Paz Desmond Tutu e o ator Richard Gere. O astro de Hollywood, diretor da Campanha Internacional pelo Tibete, acusou a China de ter transformado o revezamento do símbolo olímpico em ato político.

COI SE REÚNE EM PEQUIM

O problemático revezamento da tocha será um dos temas discutidos, hoje e amanhã, pela Comissão Executiva do Comitê Olímpico Internacional, em Pequim. De antemão, o presidente do COI, Jacques Rogge, afirmou que o percurso de 137 mil quilômetros do símbolo não será interrompido.

A entidade também vai analisar qual postura tomará diante do assunto, que até agora tem sido de neutralidade política. Além disso, decidirá se o posicionamento político de atletas será permitido durante os Jogos. Possibilidade que desagrada a Rogge. ‘Acho que, se todos começarem a emitir suas opiniões políticas, vamos matar os Jogos Olímpicos.’

Fonte: Estado de S. Paulo

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