Portugal vai crescer abaixo de 2% pelo sétimo ano consecutivo
Posted by: iGuga Team in Países, PortugalO Banco de Portugal (BdP) vai rever em baixa as previsões de crescimento para 2008 e 2009, no Boletim Económico que será publicado na próxima semana, e, pelo sétimo ano consecutivo, o país deverá registar um crescimento inferior a 2%. Segundo o governador do BdP, Portugal “não está imune” ao abrandamento económico provocado pela crise no sistema financeiro, embora deva crescer acima da média da Zona Euro. O esforço de consolidação orçamental “começa a restaurar” o papel contracíclico das políticas fiscais e orçamentais, disse Vítor Constâncio.
Num almoço-debate organizado pela Câmara de Comércio Luso-Britânica, Constâncio afirmou que Portugal “não vai crescer abaixo da média da Zona Euro, podendo até crescer ligeiramente acima”, embora as projecções do Boletim de Inverno sejam revistas em baixa. Nessa publicação, o BdP estimava um crescimento de 2%, este ano, e de 2,3%, no próximo. Desde 2001, ano em que houve um crescimento de 2%, que a taxa de variação do Produto Interno Bruto tem sido sempre inferior àquele valor. O BCE estima que a Zona Euro cresça 1,8%, este ano.
O governador explicou que embora não haja uma separação total entre a economia dos EUA e a da Europa, esta última está a “resistir melhor”. Constâncio aludiu à falta de confiança entre bancos, que está a impulsionar as taxas de juro interbancárias, afirmando haver impactos da crise por conhecer, e que só com “balanços realistas das instituições financeiras se poderá restaurar a confiança”. “Até ao final do mês, saberemos mais e a situação poderá melhorar”, disse.
Aperto no crédito
O governador avisou que haverá necessidade de recapitalização das instituições financeiras, o que manterá o aperto do crédito por parte dos bancos, mas que subsistem riscos de inflação. Neste cenário, defendeu, há necessidade de políticas públicas com carácter anticíclico, podendo haver intervenções em países e sectores específicos, como o da habitação, nos EUA. “Não haverá recessão na Europa, mesmo que ela ocorra nos Estados Unidos”, garantiu, justificando esta visão com a “dinâmica interna” da União Europeia e a capacidade de exportação para outras áreas económicas além dos EUA.
Constâncio reconheceu que Portugal “não está imune” a impactos negativos no crescimento económico, e admitiu que o país enfrenta “muitos problemas estruturais” e que “as reformas têm de continuar”. Mas entende que a consolidação orçamental já conseguida é “notável”, lembrando que “nunca aconteceu na Europa, em dois anos”.
O discurso do governador acabou por ser mais positivo do que há um mês, quando afirmou que era “prematuro” baixar impostos. Ontem, disse que a redução do défice, se for prosseguida até 2010, “começa a restaurar o papel anticíclico das políticas fiscais e orçamentais”. Pelo meio, houve a redução do IVA.
Fonte: Jornal de Notícias
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