O líder radical xiita Moqtada al-Sadr desmantelará o seu Exército de Mahdi se os principais responsáveis do clero xiita iraquiano o ordenarem. Esta é a resposta ao ultimato feito hoje pelo primeiro-ministro iraquiano, segundo o qual Sadr apenas poderá participar no processo político iraquiano se dissolver a sua milícia.

“O Exército do Mahdi recebe as suas ordens de Moqtada al-Sadr e das mais altas autoridades xiitas que consulta”, afirmou, em declarações à AFP, Salah Obeidi, porta-voz do movimento Sadr na cidade santa de Najaf, na região centro-sul do Iraque.

Segundo o porta-voz, se os altos responsáveis do clero xiita ordenarem a Moqtada al-Sadr que dissolva a mílicia, então o líder radical “deverá obedecer-lhes”.

O primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki, lançou um ultimato a Sadr para que desmantele a sua milícia se quiser participar no processo político iraquiano. Al-Sadr, que representa uma enorme ameaça para as autoridades iraquianas desde a queda do regime de Saddam Hussein, terá que dissolver o Exército de Mahdi se quiser apresentar-se às próximas eleições. “Foi tomada uma decisão: que Al-Sadr não terá direito a participar no processo político ou participar em futuras eleições a menos que ponha fim às actividades do Exército de Mahdi”, disse Maliki em entrevista à CNN.

Esta decisão acontece apenas alguns dias depois de uma violenta crise em Bassorá, a segunda cidade mais importante do país e principal porto petrolífero do país. O Exército iraquiano lançou uma ofensiva há duas semanas para recuperar o controlo da cidade, o que originou violentos confrontos entre os xiitas leais a al-Sadr e os soldados do Governo. O conflito estendeu-se a outras cidades do país, sobretudo Bagdad, e terminou no passado dia 30 de Março com centenas de mortos (cerca de 700, de acordo com a ONU).

O anúncio de Maliki acontece igualmente dois dias antes da manifestação convocada por al-Sadr para reunir um milhão de pessoas em Bagdad contra a ocupação norte-americana. O confronto entre o Governo, composto maioritariamente por xiitas, e milhões de seguidores de al-Sadr, ameaça dividir ainda mais o país e os xiitas entre si, pondo de novo o Iraque à beira de uma guerra civil.

Fonte: Público

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