“A NATO saúda as aspirações euro-atlânticas da Ucrânica e da Geórgia e os dirigentes da Aliança estão empenhados em que estes dois países se tornem membros da organização”, afirmou o secretário-geral NATO, Jaap de Hoop Scheffer.

Por agora, referiu ainda Scheffer, “a NATO vai continuar a manter com Kiev e Tbilissi um diálogo intensivo para a continuação das reformas” e “a situação será revista em Dezembro pelos ministros dos Negócios Estrangeiros da Aliança”.

Os dois países contam com o forte apoio do Presidente dos EUA que fez a proposta de um “estatuto especial”, mas as pressões de George W. Bush não foram ainda suficientes para que países com reservas sobre o tema, como a Alemanha e a França, ficassem convencidos.

A Rússia que é muito crítica deste possível adesão, - por considerar que vai criar uma “zona tampão” entre o seu país e resto da Europa -, não gostou da promessa de futura adesão.

“A adesão da Geórgia e da Ucrânia à Aliança é um grande erro estratégico que terá as consequências mais graves para a segurança na Europa”, disse Alexandre Grouchko, vice-ministro dos Negócios estrangeiros russo, à agência noticiosa russa Interfax, à margem da cimeira da NATO em Bucareste.

O primeiro-ministro português, José Sócrates, negou que as pressões da Rússia tivessem pesado na decisão. “A Aliança mantém a sua autonomia estratégica. Somos livres de decidir independentemente da vontade de outros países”, sublinhou.

José Sócrates, que também se manifestou contra uma “adesão precipitada” à NATO da Ucrânia e da Geórgia, disse que a decisão tomada “é apenas fundada” na observação de critérios definidos para a entrada de novos membros, considerando que o alargamento da NATO à Ucrânia e Geórgia é “uma questão de tempo”.

Croácia e Albânia entram, Macedónia não

Os chefes de Estado e de Governo da Aliança Atlântica chegaram, no entanto, a acordo para oferecer o estatuto PAM (Plano de Acção para a Adesão, - última etapa, embora sem garantias, para se tornarem membros de pleno direito da NATO) à Croácia e Albânia.

O Presidente da Croácia acolheu com entusiasmo o convite oficial e classificou de “histórica” a decisão tomada na cimeira de Bucareste. Para Stipe Mesic, os 26 enviaram um sinal claro de encorajamento aos Estados balcânicos para prosseguirem as reformas internas no sentido da aproximação das estruturas euro-atlânticas.

“Foi uma decisão muito importante, para os aliados, para os croatas e para o resto dos europeus do sudeste”, (…) que assim são “encorajados a seguir a mesma via”, declarou Mesic.

No Parlamento da Albânia, os deputados, reunidos em sessão extraordinária, rotularam de “histórica” a jornada, por ter sido a mais significativa desde a independência da Albânia, em 1912, e mais recentemente desde a secessão do Kosovo, a 17 de Fevereiro.

A presidente do parlamento albanês, Jozefina Topalli, dirigiu um agradecimento especial ao Presidente norte-americano, George W.Bush. “O convite marcou o fim da transição política albanesa e o primeiro passo para a plena integração euro-atlântica”, sublinhou.

Pelo contrário, a Macedónia - outra república balcânica saída da ex-Jugoslávia - esbarrou com o veto da Grécia que, por ter uma província nortenha com o mesmo nome, exige a Skopje a mudança da designação do país.

Dos seis novos países saídos da ex-Jugoslávia, a Eslovénia aderiu em 2004 e, agora, só ficam de fora três: a Bósnia-Herzegovina, Montenegro e Sérvia que, no entanto, fazem parte da Parceria para a Paz aliada desde 2006.

A Parceria para a Paz é o primeiro patamar do diálogo institucional com a NATO, mas não assegura automaticamente uma futura adesão.

Fonte: Lusa

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