Numa intervenção perante a Duma de Estado da Rússia, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Serguei Lavrov, afirmou que o alargamento da OTAN à Ucrânia e à Geórgia “não ficaria sem resposta”, mas adiantou que a reacção será “pragmática e não como a de um garoto amuado na escola, que se põe a chorar num canto”. Referindo-se particularmente à Geórgia, o ministro sublinhou que o ingresso deste país na OTAN mudaria radicalmente a situação na Abkhazia e na Ossétia do Sul, “onde a maioria da população é constituída por cidadãos da Federação da Rússia”. Lavrov considera “inadmissível” que a Geórgia queira entrar na OTAN para resolver os seus problemas com os territórios separatistas, dado que a população da Abkhazia e da Ossétia do Sul não aceitaria ser inserida na Aliança Atlântica. Lavrov afirmou que o seu ministério dava grande importância às posições da Duma de Estado relativas à regiões separatistas, sublinhando que “especial interesse desperta o apelo ao presidente e ao Governo para rever a questão de poder fazer sentido reconhecer a independência da Abkhazia e da Ossétia do Sul”. Entre os factores a ter em conta, o chefe da diplomacia russa sublinhou “a precedente do proclamação unilateral de independência do Kosovo”.
De acordo com uma sondagem do Centro Levada, mais de 60% dos russos consideram a entrada da Ucrânia e da Geórgia na OTAN uma ameaça à segurança do seu país, enquanto que cerca de 25% não vêem que daí possa resultar um perigo significativo.
Vladimir Putin vai estar presente em Bucareste, amanhã, para cimeira Rússia-OTAN, mas não deverá ser possível uma intervenção agressiva e polémica como a do ano passado em Munique. O formato do encontro não prevê um discurso em público do presidente russo, nem a sua participação na conferência de Imprensa final.
Fonte: Jornal de Notícias
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