Archive for 3 de Abril, 2008

“A NATO saúda as aspirações euro-atlânticas da Ucrânica e da Geórgia e os dirigentes da Aliança estão empenhados em que estes dois países se tornem membros da organização”, afirmou o secretário-geral NATO, Jaap de Hoop Scheffer.

Por agora, referiu ainda Scheffer, “a NATO vai continuar a manter com Kiev e Tbilissi um diálogo intensivo para a continuação das reformas” e “a situação será revista em Dezembro pelos ministros dos Negócios Estrangeiros da Aliança”.

Os dois países contam com o forte apoio do Presidente dos EUA que fez a proposta de um “estatuto especial”, mas as pressões de George W. Bush não foram ainda suficientes para que países com reservas sobre o tema, como a Alemanha e a França, ficassem convencidos.

A Rússia que é muito crítica deste possível adesão, - por considerar que vai criar uma “zona tampão” entre o seu país e resto da Europa -, não gostou da promessa de futura adesão.

“A adesão da Geórgia e da Ucrânia à Aliança é um grande erro estratégico que terá as consequências mais graves para a segurança na Europa”, disse Alexandre Grouchko, vice-ministro dos Negócios estrangeiros russo, à agência noticiosa russa Interfax, à margem da cimeira da NATO em Bucareste.

O primeiro-ministro português, José Sócrates, negou que as pressões da Rússia tivessem pesado na decisão. “A Aliança mantém a sua autonomia estratégica. Somos livres de decidir independentemente da vontade de outros países”, sublinhou.

José Sócrates, que também se manifestou contra uma “adesão precipitada” à NATO da Ucrânia e da Geórgia, disse que a decisão tomada “é apenas fundada” na observação de critérios definidos para a entrada de novos membros, considerando que o alargamento da NATO à Ucrânia e Geórgia é “uma questão de tempo”.

Croácia e Albânia entram, Macedónia não

Os chefes de Estado e de Governo da Aliança Atlântica chegaram, no entanto, a acordo para oferecer o estatuto PAM (Plano de Acção para a Adesão, - última etapa, embora sem garantias, para se tornarem membros de pleno direito da NATO) à Croácia e Albânia.

O Presidente da Croácia acolheu com entusiasmo o convite oficial e classificou de “histórica” a decisão tomada na cimeira de Bucareste. Para Stipe Mesic, os 26 enviaram um sinal claro de encorajamento aos Estados balcânicos para prosseguirem as reformas internas no sentido da aproximação das estruturas euro-atlânticas.

“Foi uma decisão muito importante, para os aliados, para os croatas e para o resto dos europeus do sudeste”, (…) que assim são “encorajados a seguir a mesma via”, declarou Mesic.

No Parlamento da Albânia, os deputados, reunidos em sessão extraordinária, rotularam de “histórica” a jornada, por ter sido a mais significativa desde a independência da Albânia, em 1912, e mais recentemente desde a secessão do Kosovo, a 17 de Fevereiro.

A presidente do parlamento albanês, Jozefina Topalli, dirigiu um agradecimento especial ao Presidente norte-americano, George W.Bush. “O convite marcou o fim da transição política albanesa e o primeiro passo para a plena integração euro-atlântica”, sublinhou.

Pelo contrário, a Macedónia - outra república balcânica saída da ex-Jugoslávia - esbarrou com o veto da Grécia que, por ter uma província nortenha com o mesmo nome, exige a Skopje a mudança da designação do país.

Dos seis novos países saídos da ex-Jugoslávia, a Eslovénia aderiu em 2004 e, agora, só ficam de fora três: a Bósnia-Herzegovina, Montenegro e Sérvia que, no entanto, fazem parte da Parceria para a Paz aliada desde 2006.

A Parceria para a Paz é o primeiro patamar do diálogo institucional com a NATO, mas não assegura automaticamente uma futura adesão.

Fonte: Lusa

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O apoio está expresso num comunicado que os líderes dos 26 países membros da Aliança Atlântica vão adoptar hoje durante a Cimeira de Bucareste, segundo os responsáveis, citados pela agência norte-americana AP sob condição de anonimato.

O comunicado vai declarar que “a proliferação de mísseis balísticos representa uma ameaça crescente às forças, territórios e populações aliadas” e acolher “a contribuição substancial para a protecção dos aliados que o sistema liderados pelos Estados Unidos representa”, segundo as mesmas fontes.

O comunicado apela aos membros da NATO para que explorem vias que venham a permitir que o sistema norte-americano, a instalar na Polónia e na República Checa, possa ser ligado a futuros escudos anti-mísseis noutros locais. O texto insta os dirigentes da Aliança a apresentarem propostas nesse sentido na próxima Cimeira, em 2009.

O comunicado apela por outro lado à Rússia para que aceite a oferta da NATO para cooperar com o sistema, ainda segundo as mesmas fontes.

A Rússia tem manifestado grande oposição a este projecto norte-americano por considerar que ele vai perturbar o equilíbrio de forças na Europa.

Fonte: Sic

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“São milhares os que perderam a vida devido à doença e milhões os que perderam os pais ou quem cuidava deles. As crianças devem estar no centro da agenda global sobre a Sida”, alerta a directora executiva da UNICEF, Ann M. Veneman.

Segundo o relatório “As Crianças e a SIDA: Segundo balanço”, estima-se que em 2007, 290.000 crianças menores de 15 anos tenham morrido com Sida e 12.1 milhões tenham perdido, até ao ano passado, um ou ambos os pais devido à Sida na África subsariana.

O documento apresentado hoje analisa os progressos sobre o modo como a Sida afecta as crianças e os jovens. A campanha “Juntos pelas Crianças, Juntos contra a SIDA”, lançada em Outubro de 2005 pelo Programa Conjunto das Nações Unidas para o VIH/SIDA (UNAIDS), a UNICEF e outros parceiros, foi um apelo à acção em torno do impacte do VIH e da SIDA nas crianças.

Apesar de estar ainda longe de cumprir a promessa de uma geração sem Sida, o relatório apresenta resultados positivos.

No final de 2006, 21 países – incluindo o Benim, Botsuana, Brasil, Namíbia, Ruanda, África do Sul e Tailândia – estavam a caminho de cumprir a meta da campanha “Juntos pelas Crianças, Juntos contra a SIDA” de 80 % de cobertura para a PMTCT até 2010, um aumento significativo relativamente aos 11 países que estavam nessas condições em 2005.

Por outro lado, o número de crianças seropositivas nos países de baixo e médio rendimento a receber tratamento antiretroviral aumentou em 70% entre 2005 e 2006.

Tratamentos antiretrovirais em grávidas

Desde 2000-2001, em 11 dos 15 países para os quais existem dados disponíveis, diminuiu a prevalência do VIH em mulheres grávidas com idades compreendidas entre os 15 e os 24 anos que têm acompanhamento pré-natal.

A proporção de mulheres grávidas seropositivas que recebem tratamentos antiretrovirais para reduzir o risco de transmissão do vírus aos seus bebés aumentou em 60% entre 2005 e 2006, mas mesmo com este aumento, estima-se que apenas 23% das grávidas seropositivas estejam a receber medicamentos antiretrovirais.

“Estamos a fazer progressos mas continuamos a ter muitos desafios pela frente”, afirmou um responsável do Departamento de VIH da OMS. “É urgente que proporcionemos tratamentos antiretrovirais às mulheres que precisam deles para a sua própria saúde, o que irá não só salvar-lhes a vida como assegurar o futuro dos seus filhos. Para alcançar este objectivo, os sistemas de saúde e a sua componente mais preciosa, o pessoal que presta os cuidados de saúde, devem ser reforçados”, adiantou Kevin DeCock.

A maior parte dos 2.1 milhões de crianças menores de 15 anos que viviam com o VIH em 2007 foram infectados antes de nascerem, durante o parto ou através da amamentação. E em 2007 os jovens com idades compreendidas entre os 15 e os 24 anos continuavam a representar cerca de 40% das novas infecções de VIH entre os jovens com mais de 15 anos.

Apesar de muitos resultados estarem longe de serem satisfatórios, a UNICEF mantém a promessa de uma geração sem SIDA. Apesar das lacunas de financiamento, tanto os governos como os doadores estão a canalizar mais recursos para os esforços de prevenção, tratamento e protecção.

Fonte: Sic

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Não é só da CanSecWest que o navegador Safari recebeu más notícias nos últimos dias. Pesquisadores da empresa de segurança Secunia identificaram duas falhas graves na versão 3.1 do navegador para o Windows.

Essa versão foi lançada há duas semanas. A forma como a Apple tenta ganhar usuários para seu browser recebeu uma dura crítica de John Lilly, presidente-executivo da Fundação Mozilla, responsável pelo navegador Firefox.

Ao fazer a atualização do gerenciador de conteúdo iTunes, há a mesma opção para o Safari, até para quem não o tem instalado. Ou seja, toda a instalação é feita, o que pode enganar alguns usuários, de acordo com Lilly, em seu blog (john.jubjubs.net). “Isso é errado e flerta com as práticas de distribuição de malware.”

Lilly ressaltou, porém, que a crítica é apenas à forma de distribuição do browser da Apple e não ao programa.

Tiro na raposa

Na semana passada, a Mozilla anunciou a descoberta de cinco falhas no Firefox.

A Secunia considerou as falhas graves –por isso, quem usa o navegador da raposa deve atualizar seu software para a versão 2.0.0.13, que conserta os problemas encontrados.

Nesta semana, a Fundação Mozilla comemorou dez anos da abertura do código do Netscape, que deu origem ao primeiro navegador Mozilla. Em breve, a fundação deve lançar o Firefox 3.0.

Fonte: Folha Online

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O YouTube foi alvo de críticas na terça-feira (1º) no Parlamento britânico em razão de ter permitido que um vídeo mostrando uma gangue cometendo crimes sexuais fosse exibido no site.

Segundo o jornal britânico “The Guardian”, em uma audiência da comissão de Cultura, Mídia e Esportes, o vice-presidente do Google, dono do YouTube, Kent Walker admitiu que uma falha humana permitiu que o filme ficasse no site. O vídeo foi visto mais de 600 vezes antes de ser removido.

“Nossos revisores analisam muito material e, em alguns casos, simplesmente cometem erros”, afirmou o executivo.

Parlamentares afirmaram que o erro era “inacreditável” e “absurdo” e que é incorreta a política de revisar os vídeos apenas depois que as produções já estão no ar. “Isso mostra realmente que o seu sistema [do YouTube] é inadequado”, afirmou o parlamentar Adam Price.

Filme antiislâmico

Na Indonésia, o YouTube também é alvo de críticas do governo. O país pediu que provedores bloqueassem o acesso ao site em razão da presença de um filme antiislâmico feito pelo deputado holandês de extrema direita Geert Wilders.

“Nossos esforços incluem pedir aos provedores de internet que bloqueiem o acesso ao YouTube. Eles começaram a fazer isso agora”, afirma Muhammad Nuh, ministro de informação do país.

Usuários da PT Telekomunikasi Indonesia, o maior provedor da Indonésia, disseram nesta quarta-feira (2) que o acesso ainda era permitido.

Com o filme, Wilders, fundador do Partido da Liberdade, afirma que quer mostrar o caráter ‘fascista’ do Alcorão, livro que ele compara a ‘Mein Kampf’ (’Minha luta’), de Adolf Hitler.

Em fevereiro, o filme de Wilders já havia causado o bloqueio do YouTube no Paquistão. Trechos da produção caíram no site, fazendo com que o governo decretasse um embargo. O acesso só foi liberado quando essas partes foram deletadas.

Fonte: Reuters

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A Comissão Eleitoral do Zimbabué está entre a espada e a parede. Do ponto de vista parlamentar já reconheceu que o principal partido de Oposição, o Movimento para Mudança Democrática (MDC), venceu as eleições do passado sábado. Quanto às presidenciais, aguarda as negociações com o ainda presidente, Robert Mugabe, para saber o que deve anunciar, se a vitória de Morgan Tsvangirai sem necessidade de uma segunda volta, ou se uma repetição dentro de três semanas.

O MDC garante que teve nas presidenciais 50,3% contra 43,8 de Robert Mugabe, mas mostra-se disposto a aceitar uma ida à segunda volta se essa for a solução para o presidente aceitar os resultados.

E é aqui que reside o principal problema das negociações que envolvem Mugabe, representantes do MDC e do mediador africano. Perante os resultados para o Parlamento, o presidente poderá ser humilhado numa segunda volta e ter de enfrentar a Justiça pelos crimes que a Oposição lhe atribui.

Se Mugabe aceitar já a derrota, o MDC não só se compromete a não avançar com uma queixa contra o presidente, como lhe garante imunidade interna ou luz verde para se exilar.

Nesta altura, Robert Mugabe, que acreditava em mais um mandato, o sexto, está cada vez mais sozinho e começa a ver os seus tradicionais apoiantes, nomeadamente chefes militares, a abandonarem o barco.

Fontes ligadas às negociações garantem que Mugabe já aceitou exilar-se, embora o queira fazer com a dignidade institucional que entende ter direito. Isso signficará sair não como derrotado, mas como alguém que põe os superiores interesses do país acima das suas ambições autocráticas.

Como é que isso se consegue? Aceitará o MDC perder voluntariamente a segunda volta tendo a garantia de Mugabe que depois de reeleito resignará? Darão os militares o seu contributo “simulando” um golpe que anule a segunda volta e “legitime” a fuga do presidente?

“Uma coisa é certa no meio de toda a confusão. Mugabe só aceita sair se não levar o rótulo de derrotado porque isso é algo que nunca admitirá. Se aparecer uma solução do tipo você ganhou mas deve exilar-se, então ela aceitará”, afirma um diplomata sul-africano que acompanha o processo eleitoral no Zimbabué.

E enquanto os políticos não encontram a saída, e porque o tempo urge, adensam-se os temores de que a longa espera e indefinição provoque sérios episódios de violência, um pouco à semelhança do Quénia.

A capital do país, Harare, já está cercada por um forte dispositivo militar e policial, o mesmo se passando nas principais cidades do país.

Os estados vizinhos também estão em alerta por temerem que o Zimbabué aumente ainda mais o fluxo do seu principal “produto” de exportação dos últimos anos os refugiados.

Fonte: Jornal de Notícias

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Numa intervenção perante a Duma de Estado da Rússia, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Serguei Lavrov, afirmou que o alargamento da OTAN à Ucrânia e à Geórgia “não ficaria sem resposta”, mas adiantou que a reacção será “pragmática e não como a de um garoto amuado na escola, que se põe a chorar num canto”. Referindo-se particularmente à Geórgia, o ministro sublinhou que o ingresso deste país na OTAN mudaria radicalmente a situação na Abkhazia e na Ossétia do Sul, “onde a maioria da população é constituída por cidadãos da Federação da Rússia”. Lavrov considera “inadmissível” que a Geórgia queira entrar na OTAN para resolver os seus problemas com os territórios separatistas, dado que a população da Abkhazia e da Ossétia do Sul não aceitaria ser inserida na Aliança Atlântica. Lavrov afirmou que o seu ministério dava grande importância às posições da Duma de Estado relativas à regiões separatistas, sublinhando que “especial interesse desperta o apelo ao presidente e ao Governo para rever a questão de poder fazer sentido reconhecer a independência da Abkhazia e da Ossétia do Sul”. Entre os factores a ter em conta, o chefe da diplomacia russa sublinhou “a precedente do proclamação unilateral de independência do Kosovo”.

De acordo com uma sondagem do Centro Levada, mais de 60% dos russos consideram a entrada da Ucrânia e da Geórgia na OTAN uma ameaça à segurança do seu país, enquanto que cerca de 25% não vêem que daí possa resultar um perigo significativo.

Vladimir Putin vai estar presente em Bucareste, amanhã, para cimeira Rússia-OTAN, mas não deverá ser possível uma intervenção agressiva e polémica como a do ano passado em Munique. O formato do encontro não prevê um discurso em público do presidente russo, nem a sua participação na conferência de Imprensa final.

Fonte: Jornal de Notícias

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Khaled Meshaal, líder do Hamas exilado em Damasco, na Síria, disse em entrevista publicada ontem pelo jornal palestino “El Ayam” que apoia um cessar-fogo com Israel, que inclua tanto a faixa de Gaza como a Cisjordânia.

“O Hamas mantém o plano político com o qual concordou ao assinar o documento de reconciliação nacional, em 2006″, disse Meshaal na referida entrevista, citada por Guila Flint, correspondente em Tel Aviv para a BBC-Brasil. Nesse documento - que partiu de uma iniciativa de prisioneiros palestinos (do Hamas e do Fatah) detidos em prisões israelitas -, estabeleciam-se as linhas gerais de um programa que obteve o apoio de ambas as organizações e, entre outros pontos, reconhecia implicitamente a existência de Israel. Ainda nos termos do mesmo documento, seria criado “um Estado Palestino nas fronteiras de 1967″, isto é, um Estado palestino ao lado de Israel, que permaneceria nas fronteiras anteriores à guerra de 1967.

Fonte: Jornal de Notícias

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O primeiro-ministro irlandês Bertie Ahern anunciou, ontem, a sua demissão do cargo que ocupa há mais de uma década. A saída do líder irlandês está marcada para o dia 6 de Maio e surge na sequência de um escândalo relacionado com as finanças pessoais de Ahern.

Bertie Ahern, que subiu ao poder em 1997 e é parlamentar há 31 anos, encontra-se no centro de um inquérito público que visa averiguar casos de corrupção durante a década de 90.

O primeiro-ministro demissionário é acusado de receber dinheiro de uma construtora quando era ministro das Finanças.

O caso veio a público em Setembro de 2006 e Ahern admitiu ter recebido dois pagamentos, entre 1993 e 1994, no total de 50 mil euros alegando tratarem-se de empréstimos. Desde então, o líder do partido Fianna Fáil tem sobrevivido às fortes pressões da imprensa e da Oposição, mas um recente depoimento da sua antiga secretária tornou insustentável a permanência de Ahern no Governo.

Ontem, ao apresentar a demissão, Bertie Ahern defendeu a sua inocência garantindo que nunca colocou os seus interesses pessoais à frente dos da nação. “Enquanto eu sou o primeiro a admitir que cometi alguns erros na minha vida pessoal e na minha carreira, um erro que nunca cometi foi o de enriquecer à custa da confiança do povo. A minha decisão é motivada pelo que é melhor para o povo”, afirmou num discurso de 12 minutos durante o qual se demitiu também da liderança do partido.

Durante os seus 10 anos no Governo, Bertie Ahert conquistou a atenção internacional pelo seu papel no processo de paz na Irlanda do Norte, sendo um dos responsáveis pelo acordo de Belfast em Maio de 1998. Desde então o líder da República Irlandesa levou a cabo uma das mais bem sucedidas reformas económicas da Europa, transformando o país numa das mais prósperas nações da UE.

Mas a vida privada do Taoiseach, como é conhecido o primeiro-ministro irlandês, acabou por se tornar num impedimento para a sua carreira política. Brian Cowen e Michael Martin, ministros das Finanças e dos Negócios Estrangeiros, respectivamente, são os principais candidatos à sucessão.

Fonte: Jornal de Notícias

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A libertação de Ingrid Betancourt parece estar iminente. A ex-candidata presidencial colombiana, sequestrada pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) em 2002, corre risco de vida. O seu filho, Lorenzo Delloye, de 19 anos, lançou um apelo desesperado à guerrilha, o último segundo ele, já que a mãe vai morrer se não receber urgentemente uma transfusão sanguínea.

‘Na selva colombiana, uma mulher, a minha mãe,caminhaparaa morte’, começou por dizer numa conferência de imprensa em Paris. ‘Sofre de malária, hepatite B, e leishmaniose e precisa de uma transfusão nas próximas horas.’

‘Na selva colombiana, uma mulher, a minha mãe,caminhaparaa morte’, começou por dizer numa conferência de imprensa em Paris. ‘Sofre de malária, hepatite B, e leishmaniose e precisa de uma transfusão nas próximas horas.’

O jovem, que também apelou ao presidente colombiano, Álvaro Uribe, para que ‘possibilite a libertação da mãe e evite a sua morte’, mostrava estar bastante bem informado sobre o quadro clínico de sua mãe. Tal poderá dever-se à comissão de apoio a Betancourt, que, segundo se afirma, tem formas de obter informações sobre a refém mais conhecida das FARC. Foi aliás, através desta comissão que se soube que Betancourt iniciou uma greve de fome no passado dia 23 de Fevereiro.

Terão sido estas informações que levaram o presidente francês, Nicolas Sarkozy, a lançar uma advertência intimidatória ao chefe da guerrilha, Manuel Marulanda: ‘Não perca esta ocasião. Seria um erro político grave, uma tragédia humanitária, um crime. Você seria responsável pela morte de uma mulher.’

A ex-candidata presidencial é uma refém valiosa para as FARC, que pretendem usá-la como moedadetrocapara conseguiralibertação dos500guerrilheiros presos. Mas se ela morresse nas suas mãos ficariam ainda mais desacreditados. Ingrid tem consciência disso e por isso iniciou uma greve de fome e recusa medicação para pressionar a sua libertação.

A fragilidade da saúde de Betancourt é, por isso, uma esperança. Não para todos, já que o ex-marido da refém, Juan Carlos Lecompte, receia que Ingrid esteja já morta. ‘Ela é a refém mais humilhada das FARC porque as confronta’, afirmou recentemente no Brasil.

Suspensão de operações

Esperançado no bom senso das FARC, Sarkozy anunciou o envio para a Colômbia uma missão humanitária internacional (ver caixa). Por sua vez, Álvaro Uribe assegurou na terça-feira que as operações militares no Sueste do país foram suspensas e que apoia a missão humanitária internacional, liderada pelo Comité Internacional da Cruz Vermelha. Paralelamente, Sarkozy anunciou, num comunicado, que porá em marcha uma operação para contactar as FARC e conseguir acesso a Betancourt. Recorde-se-se que o presidente francês prometeu a Marulanda que acolheria guerrilheiros no seu país se ele libertasse Betancourt e outros reféns com saúde debilitada.

Marulanda afirmou há dias que a morte de um dos seus líderes,Raúl Reyes, às mãos das tropas colombianas no Equador, comprometeu a libertação de Betancourt. Mas face ao delicado estado de saúde da refém, poderá estar disposto a abrir mão da sua mais valiosa refém.

FRANÇA ANUNCIA MISSÃO

A França anunciou que foi iniciada uma operação para contactar as FARC e enviada uma missão humanitária à Colômbia para tratar de Ingrid Betancourt. Antes disso, Sarkozy telefonou ao seu homólogo colombiano, Álvaro Uribe, para que este desse garantias de que as operações militares seriam mesmo suspensas. Segundo as últimas informações, a operação humanitária foi organizada conjuntamente pela França,Espanha e Suíça. A equipa que se deslocou à Colômbia é composta, entre outros, por um médico e vários diplomatas conhecedores do caso Betancourt.

Paris não quis avançar pormenores sobre esta missão de resgate, porque considera importante a discrição. No entanto, o chefe da diplomacia francesa, Bernard Kouchner, assegurou: ‘Está a ser feito tudo o que é possível.’

SAIBA MAIS

- 6000 pessoas foram sequestradas pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) nos últimos dez anos. Os reféns são mantidos em condições sub-humanas.

- 800 pessoas continuavam reféns das FARC em finais de 2007. Ingrid Betancourt foi sequestrada em 23 de Fevereiro de 2002. É a refém mais mediática das FARC.

DROGA

Apesar de as FARC traficarem drogas para financiar as suas acções, os seus soldados são proibidos de as consumir. O uso de drogas representa um grave crime na organização, sendo severamente punido.

ADOLESCENTES

As FARC são acusadas de recrutar adolescentes como soldados. A organização Human Rights Watch calcula que cerca de 20% dos soldados é menor de idade.

Fonte: Correio da Manhã

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