Os EUA saudaram hoje a decisão do líder radical xiita Moqtada al-Sadr de mandar retirar a sua milícia das ruas de Bagdad e Bassorá, após cinco dias de intensos combates com o Exército iraquiano, dos quais resultaram centenas de mortos.

“Pensamos que se trata de um passo positivo”, afirmou Tom Casey, um dos porta-vozes do Departamento de Estado norte-americano, numa altura em que a calma parece ter regressado às duas maiores cidades do Iraque.

Apesar de Sadr ter recusado entregar as armas de que dispõe e de o Exército não ter conseguido alcançar o seu objectivo inicial – expulsar os milicianos dos seus bastiões – a diplomacia americana garante que foram conseguidos progressos. “É importante que todos os iraquianos cooperem com o Governo e trabalhem em conjunto para pôr em prática um sistema político”, afirmou Casey.

Depois de seis dias de combates, Sadr ordenou ontem ao Exército de Mahdi para abandonarem as posições que assumiam nas ruas Bassorá, principal cidade portuária do Iraque, e nos bairros xiitas de Bagdad.

Numa declaração lida em seu nome, ontem em Najaf, cidade santa para os xiitas, o líder xiita justificou a decisão com a necessidade de pôr fim ao derramamento de sangue – as últimas estatísticas apontam para mais de 450 mortos e um milhar de feridos –, mas em compensação exige uma amnistia geral para os seus milicianos e a libertação de todos os dirigentes do movimento detidos. O movimento, que exige uma retirada imediata das forças norte-americanas, acusa o Governo iraquiano de estar ao serviço dos ocupantes e exige a sua demissão.

Apesar dos receios que alguns comandantes locais não acatassem a ordem do jovem clérigo, as agências internacionais adiantam que nenhum miliciano armado era visível nas ruas de Sadr City, populoso subúrbio nos arredores de Bagdad, nem no bairro xiita de Kadhimiyah, relata a AFP.

O recolher obrigatório foi levantado em Bagdad, após três dias de interdição de circulação a veículos e peões, enquanto em Bassorá, onde começaram os combates na passada terça-feira, as medidas restritivas vão continuar em vigor durante a noite.

Fonte: Público

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